A Lourdes é uma família de assentos: cadeira, cadeira com braços, poltrona, poltrona com braços, banqueta, banco de três lugares e cadeira alta. Todas as peças partem da mesma base de marcenaria em jequitibá maciço, em três acabamentos: natural, tingido e ebanizado.
Desenhada para a marcenaria artesanal
A Lourdes foi a primeira linha que lançamos depois das primeiras linhas da Cabiúna. Essas eu desenhei no meio da pandemia, quase sem contato com marcenaria, e só depois fui procurar quem produzisse. Eu estava muito distante de como as coisas são feitas.
A realidade que encontrei, pelo menos na minha escala de produção e na minha realidade local, é que as marcenarias que fazem esse tipo de peça são muito artesanais. O desenho tem que incorporar a lógica da produção artesanal. A Lourdes foi desenhada pensando nisso: ideias contemporâneas, como ciclo de vida, otimização da produção e assentos trocáveis, feitas dentro dessa lógica.
Por que uma base só para vários assentos

A ideia inicial tinha uma lógica de ciclo de vida. O assento é a parte que se desgasta mais rápido. Se a pessoa quiser ou precisar trocar o assento ao longo da vida útil da peça, ela pode, sem trocar a estrutura.
Isso também é eficiente do lado da construção. Conseguimos deixar as bases prontas e fazer só o assento, o que agiliza muita coisa. E, desde o início, a Lourdes foi pensada como uma construção que pudesse se desdobrar em várias peças. Por isso existe cadeira, poltrona, banco e banqueta com a mesma linguagem.
A mesma lógica abriu espaço para variações. A Lourdes Leve com braços, uma ideia que já estava rabiscada, foi produzida pela primeira vez para um projeto da Bernardes Arquitetura no Pobre Juan de Ipanema. Pretendemos colocá-la em linha em breve.

Pobre Juan Ipanema, Bernardes Arquitetura. Foto: André Nazareth.
Um contraponto ao móvel feito em massa
Sempre pensei a Lourdes como um contraponto ao móvel feito em massa. Normalmente, o móvel em massa é fabricado num único lugar, na China ou em algum país do Sudeste Asiático, e exportado para o mundo todo.
A Lourdes não depende de uma fábrica específica nem de maquinário industrial. Ela é feita com ferramentas convencionais de marcenaria, sem dupla curvatura nem curvas complexas, e por isso poderia ser produzida por oficinas locais de pequena escala, perto de quem vai usar. A complexidade foi resolvida no desenho.
O que mudou do protótipo ao lançamento
O primeiro protótipo em madeira, uma cadeira com braços, ficou pronto em março de 2024, em São Paulo. Para ser sincero, houve pouquíssimos ajustes depois dele, ajustes finos como o comprimento ou a altura do assento. Lançamos a coleção em junho de 2024. Em 2025, ela recebeu o iF Design Award na categoria de móveis para casa.
De que é feita a trama da Lourdes

A trama tem cara de palha, mas não é palha. São fios com núcleo de aramida, envolto em fios de algodão. Escolhemos esse fio pela resistência. A palha natural vai cedendo com o uso e tem que ser refeita com muita frequência. A trama de aramida com algodão praticamente não cede.
Quem prefere estofado tem bouclé, tecido rústico ou couro vaqueta, e também pode mandar o próprio tecido.

Por que as ferragens de inox ficam à vista
Os encostos são presos por ferragens de aço inox. Elas ficam à vista de propósito: mostram a lógica de montagem do assento. São uma pista de como a peça é construída.
Lourdes Externa

Em novembro de 2025, a coleção ganhou uma versão para áreas externas, em cumaru maciço com tela sintética no assento e no encosto. Além de cadeiras, poltronas, banqueta e cadeira alta, a Lourdes Externa tem mesa de jantar, mesa de centro e mesa lateral.
De onde vem o nome Lourdes
Lourdes era o nome da minha avó. A coleção não tem nenhuma semelhança com ela. É uma homenagem.
Coleção Lourdes, Cabiúna, 2024. Desenvolvida com Heitor Espíndola, da equipe de design da Cabiúna.
Coleção Lourdes · Lourdes Externa · Poltrona com Braços Lourdes Palha
Antônio Maurício, fundador e designer da Cabiúna